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Palavra da Diretora

Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo
Provérbios 25:11

Profa. Dra. Christina Rocha

Se nos preocupamos em cultivar relações saudáveis e positivas com as pessoas que nos cercam é importante que possamos considerar a sabedoria que precisamos ter no uso de nossas palavras. Existe uma relação estreita entre a comunicação e as relações interpessoais. As relações interpessoais são elementos-chave em nosso desenvolvimento pessoal, na percepção do que somos e no tipo de interação que estabelecemos com as pessoas à nossa volta. Manter trocas positivas é essencial para alimentarmos relações construtivas e animadoras.

As palavras têm poder de encorajar, aproximar, viabilizar vínculos de confiança e consideração, do mesmo modo como podem ter como resultado a apreensão, a desconfiança, o desânimo, o afastamento e o conflito. Para que possamos fazer bom uso das palavras, precisamos fazer algumas aprendizagens essenciais:

A primeira delas é o domínio próprio. Em um diálogo precisamos aprender a ouvir e isso implica não apenas escutar o que o outro diz, enquanto elocubramos internamente justificativas, desculpas e argumentos de contraposição, mas ouvir procurando entender de fato o que outro nos diz, que sentimentos estão presentes em sua fala, que percepções são manifestas naquilo que é dito. Não basta ouvir as palavras, é preciso sentir o coração. Estar disponível para acolher a perspectiva do outro, o sentimento do outro, o modo como o outro percebe e expressa suas próprias emoções e leituras do assunto que estamos tratando.

É preciso saber checar cuidadosamente nossa própria percepção e a sintonia que tivemos na compreensão do que o outro nos diz. Os significados que damos àquilo que é dito são constituídos a partir de nossa própria história. Sempre ouvimos o outro a partir de nossas possibilidades e limitações. Pode ser que, ao ouvir, não entendemos devidamente o que foi exposto porque a escuta estava contaminada por nossas próprias experiências e aprendizagens sobre o que foi dito. Então, é importante perguntar se a compreensão que tivemos é de fato aquilo que o outro gostaria de transmitir.

O respeito à diversidade de opiniões é algo de grande importância. Somos seres únicos, singulares. Temos trajetórias diversas na constituição daquilo que somos. Portanto, é natural que haja divergências. Mas se considerarmos a singularidade de cada um e agirmos com respeito com relação às pessoas com as quais convivemos, saberemos lidar melhor com tais divergências procurando a partir delas fazer ricas aprendizagens que ampliem a nossa própria compreensão dos fatos e situações.

Quanto mais sentimentos estiverem envolvidos em um diálogo, mais fortes serão as expressões dos pensamentos. É diverso que alguém fale de "modo agressivo", "acusador", e que nos sintamos agredidos e acusados. A força da fala do outro está diretamente relacionada à mobilização que sente ao expressar suas opiniões. Nos sentirmos agredidos e acusados está diretamente relacionado à nossa escuta e capacidade de entendermos a expressão do outro, como uma expressão pessoal, que não tem necessariamente de ser uma afirmação de verdade sobre o que nós mesmos somos. Ou seja, só nos sentimos agredidos e acusados se assim o decidirmos.

Até então, comentei apenas sobre a escuta e algumas coisas que estão envolvidas no processo de comunicação. Vale lembrar da recomendação bíblica: "Sejam prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se" (Tiago 1:19). O processo de ouvir é delicado e envolve sabedoria e domínio próprio.

É possível afirmar que sendo bons ouvintes seremos mais sábios em nossa comunicação e no uso de nossas palavras. Saberemos que a expressão de nossas palavras deve implicar um melhor entendimento de nós mesmos e do outro com o qual nos relacionamos. Nossas palavras devem servir para construir pontes e não para edificar muros. Devem ser expressões de nossa autenticidade e não uma teia de aprisionamentos, mágoas, acusações. Se nossas palavras são amargas, é nosso próprio coração que temos que checar. Se nossas palavras são dúbias, desleais e usadas como manobras de poder e convencimento, é a nossa própria vida que devemos rever, são as nossas próprias escolhas que devemos ter a coragem de examinar.

Quanto mais nos amamos e nos compreendemos, mais autênticos somos, melhor conseguimos amar, compreender e respeitar a autenticidade do outro. Se falamos demais e atropelamos o outro com nossas próprias percepções, se nossas palavras são impensadas e impulsivas, isso pode significar que temos dificuldade de ouvir a nós mesmos, de estabelecer um diálogo dentro de nós com aquilo que temos sido. Falar pode ser uma maneira de fazer calar. Fazer calar o outro, que não queremos ouvir, é fazer calar a nossa própria voz interior que temos medo de contatar.

O crescimento pessoal e uma melhor saúde de nossos relacionamentos estão diretamente relacionados. É importante que possamos nos rever, nos ouvir e estar atentos às intenções dos nossos próprios discursos e seus resultados. Aprendendo mais sobre nós mesmos, aprendemos também como construir relações mais saudáveis e realizadoras.

Enfim, "como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo". Nossas palavras nos revelam, revelam os espaços profundos de nossas almas. Serão preciosas à medida que também o forem os valores e tesouros de nosso próprio coração.

Christina Rocha é graduada em Teologia e em Filosofia - com habilitação em Psicologia, História e Filosofia. Mestre e Doutora em Teologia - Educação e Religião - pela Escola Superior de Teologia. Com experiência na direção geral, acadêmica, gestão administrativa e consultoria especializada de instituições de educação básica e ensino superior. Palestrante nas áreas de Educação, Teologia e Filosofia. Pesquisadora na área de análise do discurso. Docente no Ensino Superior e avaliadora de Cursos Superiores pelo INEP/MEC. Diretora da Faculdade Batista de Minas Gerais.

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